quarta-feira, 3 de junho de 2009

Why so serious?

Que desilusão me saiu o Relapse. Em poucas palavras: fala demasiado de anti-depressivos, a "pronúncia indiana" domina quase todo o álbum e estraga demasiados bons flows, a fórmula Eminem mc + Dre produtor (prefiro nem falar no Eminem beatmaker) já cansa.

O Dre produz muito bem, ok, mas ouvir o Eminem com o mesmo tipo de sonoridade 10 anos seguidos cansa um bocado. Cheira-me que se ele experimentasse outros voos só tinha a ganhar, o homem ainda tem talento, não há motivo para que não soe fresh. Ele merece, os fãs merecem - ou o patrão fica chateado?

Igualmente estranho é ouvi-lo demasiado sério do início ao fim do cd. Onde é que anda o Eminem que divertia os ouvintes, que estava tão fodido da vida como agora mas que sabia gozar com isso e fazer músicas deliciosamente estúpidas sem esquecer a seriedade do tema? É por isso que a minha faixa favorita do novíssimo Relapse é a número 4, Insane. Completamente Slim Shady, desde o beat ao tom de voz utilizado, sem esquecer a letra. Impecável, 5 estrelas, 100%, um brinco, daqui.

Tirando isso, ouve-se bem e tem 3 ou 4 sons bastante fixes. Que remédio.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Quem conhece...

... o BlackMastah deve ter achado normalíssimo vê-lo aos saltos no vídeo do Skunk, todo contente da vida. De certeza que ele se estava mesmo a divertir como se não houvesse amanhã. Já o Bomberjack mete pena, de certeza que se contam pelos dedos as vezes em que se riu ao longo da vida.

Mas fixe fixe é o facto do Wordsworth ser um dos convidados do Shakim a.k.a. Kacetado a.k.a. Skunk (afinal não vou morrer sem ouvir um mc americano de que gosto realmente a colaborar com um português). Gostei muito do Rusga, de todo aquele ambiente lo-fi, espero que a qualidade se mantenha, pelo menos.

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... o Stray já sabia que era uma questão de tempo até que ele fizesse um som assim. Tem tanto de improvável como de viciante, word!

Não se faz

Os gajos dos raps que samplam moderada e disfarçadamente roubam música, diz-se. Se calhar estas putéfias que samplam à descarada (ok, não são bem elas) é que dão uma nova vida aos clássicos que destroem...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Por que é que...

... as bebedeiras de que não nos lembramos são as que deixam melhores recordações?

Vou mesmo

dar guito pelo cd do Xeg. Comprei o "Remisturas Vol. 1" quando tinha 14 anos e, tempos mais tarde, percebi que esse era dos maiores erros que se podia cometer e prometi a mim mesmo não voltar a fazê-lo. Estava errado.

Já ouviram bem o último snippet (desta vez completo) que ele dropou no myspace? Se fazem parte do grupo que diz que o Xeg de antigamente está morto e enterrado têm aqui várias provas em contrário. X-E-G v2.0 - o mesmo de sempre com todas as vantagens potencializadas pelo seu mais recente update.

Assim sim

Podem vir actuar a Portugal os maiores hit bangers do mundo, todos os grupos que têm na banda com que se apresentam ao vivo um porta estandarte, qualquer um que encha o Pavilhão Atlântico.

Espero pelo dia em que algum desses senhores se consiga apresentar assim: com esta entrega, com este profissionalismo e com esta cordenação (nada falha, nem mesmo durante o crowdsurfing atabalhoado do Meth).

Tudo sob o cada vez mais surpreendente formato mc+dj+mc de apoio.

sábado, 23 de maio de 2009

V/A

Ando a colar tanto nisto. Está mesmo fixe, tem mil e uma possibilidades (ok, são só algumas, as suficientes para perder uns minutos valentes).

A ver se actualizo o blog a sério quando conseguir retomar a minha rotina normal e uns horários minimamente decentes. Até lá, divirtam-se a ouvir esta pérola, a descobrir que rapper e produtor é que a samplou e que outras músicas têm baixos parecidos.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Blackout 2

Aconteceu-me com o resto do álbum o mesmo que se passou com a "A-Yo" - à primeira audição não achei nada de especial mas, depois de ouvir umas quantas vezes, posso dizer que estou a sentir o regresso dos gajos.

O som em questão, apesar de tudo, é tipicamente Red and Mef. O beat não tem muito a ver com eles mas o essencial está lá: andam aos saltinhos no vídeo (o que pode fazer espécie - sempre quis dizer isto - antes de se começar a achar piada) e o som é cool enough depois do primeiro impacto. Tudo bem que a ressaca de Wu-Tang é grande e que a "New Wu" veio facilitar as comparações, mas não se podia esperar que fosse o "Blackout 2" a ressuscitar a mística da crew. A obrigação de soarem a Wu-Tang é quase nula; fazerem o que lhes dá na real gana é inevitável e é disso que o meu povo gosta - e souberam fazê-lo neste single.

O grande problema do álbum é parecer demasiado um projecto a solo do Redman com versos do Meth em todos os sons. Achei-o demasiado próximo do último cd do Red, "Red Gone Wild", e o facto dele ser o primeiro a rimar em quase todos sons não ajuda nada.

De resto, não faltam dicas engraçadas e grandes dicas e produções que, não sendo exuberantes, cumprem o objectivo na perfeição e não sufocam o meu flow favorito. Os dois ou três auto-tunes eram escusados mas vá, são discretos o suficiente para não chatearem muito.

Assim de repente, destaco as faixas "Dangerous Emcees", "Errbody Scream" (senti bastante o Keith Murray), "Mrs. International" (uma grande prestação do Method num instrumental mais smooth, na onda do que já tinha feito na "Ms. Hill") e a enorme "Dis Iz 4 All My Smokers".

terça-feira, 19 de maio de 2009

Rookies do ano

Isto se não contarmos o tempo que já dedicaram à música antes deste projecto paralelo em que trabalham juntos.

Chamam-se Orelha Negra e, segundo o site da sua editora (Enchufada), o quinteto é formado por "Cruz (Dj/Scratches), Ferrano (Drums), Gomes Prodigy (Keyboards, Synths), Mira Professional (Voice Sampler/MPC/Synths) and Rebelo Jazz Bass (Bass and Rythm Guitar)", heterónimos de Cruzfader, João Gomes, Sam the Kid e Francisco Rebelo (membro dos Cool Hipnoise, bem como João Gomes), restando descobrir que cara, provavelmente conhecida, esconde o nome Ferrano - será "Fred, o baterista do Sam? Caga nisso".

A avaliar pelo single - "Lord" - estes rapazes não se juntaram para brincar aos músicos (ou talvez tenham juntado, o que não é necessariamente mau) e vão brindar o público com graaaandes malhas, num álbum que reúne "soul, jazz e hip hop" num só tipo de som.

I never knew you

Tinha mesmo que roubar o post à Nicolau e ajudar à partilha deste vídeo.

Anónimo, foi mais rápido do que pensava(s): aqui está o tal bitaite sobre indie. Se, como tu dizes, há quem pense que isto (no geral) não é rap, mostra-lhes isto (em específico). Tudo bem que rap é um verbo mas, caso se concorde com a conotação da sigla r.a.p. a "rhytm and poetry", é impossível ficar indiferente à poesia de Cage e ao quão rap isto é.

Se bem que continuo a achar que ele, em certos momentos do vídeo, parece o puto do High School Musical enfiado no clip do "HipHop (Sou Eu e És Tu)".